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  Minha infância   Na calmaria do dia em que me encontro hoje, Observo meus netos a brincarem, a gritarem, e as vezes, a brigarem... Entre risadas e “assim não pode”, “vou contar para a mãe”.   As horas passam e retorno no tempo. Nas ruas, na praia, nas dunas e pedras, Nas Torres da minha infância. Tudo era sol, mar e lua Que brincavam entre si, E ficavam corados Nas noites de “gato mia”. Amigas e amigos de infância Que trago no coração e nas lembranças.  Da bola de gude ao esconde-esconde, jogo de vôlei, De “matar”, descobrir fantasmas nas vidraças,   Subir nos telhados e ver a cidade do alto. Tantas brincadeiras, tantas imaginações, criações Que a tarde entrava na noite com pesar, De ver o dia se acabar.   O dormir cedo, porque no outro dia Era dia de sol, de praia. E a disputa pelo melhor “jacaré”, A melhor onda, a mais alta, E os castelos de areia imensos, Feitos sonhos de criança.   Os amig...

Meus leitores

https://photos.app.goo.gl/sBJrv1HRfBfJwYkW6   Indagações Tenho escrito tanto Que muito me pergunto Por que escrevo? Para quem escrevo? Versos livres, soltos Sempre a navegar. Onde irão aportar? Qual coração irá acalentar? Tenho indagações primárias De um poeta que sonha E indaga. Qual leitor me lerá? Jaine Scheffer

Epitáfio

  Epitáfio – Releitura da música dos Titãs.  Composição: Sergio Britto                    Desperta! Deixa impressões do que fostes Do que és ou quisestes fazer É.... poderias ter amado mais!   Nada mais haverá E o acaso não virá te socorrer, Queira sofrer menos Por andar tão distraída.   Queira ver nas pessoas O que elas são. Sinta as emoções E o coração nas mãos.   Morra todos os segundos, por amor Veja o sol nascer e se pôr também! Se importe com problemas pequenos As alegrias e tristezas sempre virão.   A vida é tão fugace E as lembranças não tardarão. Seja como a flor que, Ao cessar a chuva, renasce! Agosto/2020

Pandemia

  Pandemia Tá hostil esse silêncio Ele não cessa Ecoa na TV, no vizinho, no rádio E na casa do meu tio. Pedem sorrisos, pedem calma e ginástica Noite e dia. Pedem  #ficaemcasa Tá triste esse sorriso Não ousam refletir. Quem sabe gritarem entre dentes, No estrondoso silencio das ruelas, Que também tem fome, O choro do dia. Há o pavor, o futuro na live Da pós pandemia, Que pede sorriso, socorro e silencio...por favor! #estaremosjuntos #tudovaipassar E passou? Jaine G. Scheffer - Maio/2020
Alma e Pele - Poesias – Jaine Godinho Scheffer 99 Vida e Morte          foto: cidade Goiás velho - terra de Cora Coralina  Deve ser meu lápis “Cora Coralina”... A inspiração toma o lugar do desânimo. Em alguns momentos sinto os sinais de senescência. Mas, a decrepitude ainda não tomou os meus pensamentos. “É triste, porém, ter a morte diante dos olhos” – diz *Séneca em Cartas a Lucílio. A morte meus amigos, não é bem nem mal. Mas, devo ser otimista e considerar que todos tem o bem e o mal dentro de si. E quero sempre optar pelo bem, embora muitas vezes me falta a vontade. Sua definição depende da circunstância da vida de cada um. Amo a velhice, assim como quando visito minha cidade natal. . . Tudo é novo e velho para mim, pois cada etapa é mais bela quando está por terminar. Não negligencio o trato em detrimento da acomodação da velhice. Sou vaidosa! Há quem não viva, passa longo tempo morrendo. Na vida quanto na morte temos que ter ilusã...

Reflexões

“Não reflito, sonho; não estou inspirado, deliro.” Fernando Pessoa As relações, as vezes, parecem insolentes. Tudo é dito, exposto, concluído... Igual carta ao amor, quando já não o é mais. O real limita, extingue os sonhos,   E o ato perverso é a reflexão... A poesia, muitas vezes, é ceifada pela lucidez de uma inspiração que aterrissa ... sem flutuar.   Pelo pensamento coerente, dirigido por sinônimos e antônimos, que matam o delírio...   E o que devemos escrever, sentir... A alma clama em ser invisível, inesperada ...embriagada...flutuante!   Quer ser arte transcendente, inacabada... Onde o condutor e autor da obra seja apenas uma assinatura ...e nada mais! Jaine G. Scheffer