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Alma e Pele - Poesias – Jaine Godinho Scheffer 99 Vida e Morte          foto: cidade Goiás velho - terra de Cora Coralina  Deve ser meu lápis “Cora Coralina”... A inspiração toma o lugar do desânimo. Em alguns momentos sinto os sinais de senescência. Mas, a decrepitude ainda não tomou os meus pensamentos. “É triste, porém, ter a morte diante dos olhos” – diz *Séneca em Cartas a Lucílio. A morte meus amigos, não é bem nem mal. Mas, devo ser otimista e considerar que todos tem o bem e o mal dentro de si. E quero sempre optar pelo bem, embora muitas vezes me falta a vontade. Sua definição depende da circunstância da vida de cada um. Amo a velhice, assim como quando visito minha cidade natal. . . Tudo é novo e velho para mim, pois cada etapa é mais bela quando está por terminar. Não negligencio o trato em detrimento da acomodação da velhice. Sou vaidosa! Há quem não viva, passa longo tempo morrendo. Na vida quanto na morte temos que ter ilusã...

Reflexões

“Não reflito, sonho; não estou inspirado, deliro.” Fernando Pessoa As relações, as vezes, parecem insolentes. Tudo é dito, exposto, concluído... Igual carta ao amor, quando já não o é mais. O real limita, extingue os sonhos,   E o ato perverso é a reflexão... A poesia, muitas vezes, é ceifada pela lucidez de uma inspiração que aterrissa ... sem flutuar.   Pelo pensamento coerente, dirigido por sinônimos e antônimos, que matam o delírio...   E o que devemos escrever, sentir... A alma clama em ser invisível, inesperada ...embriagada...flutuante!   Quer ser arte transcendente, inacabada... Onde o condutor e autor da obra seja apenas uma assinatura ...e nada mais! Jaine G. Scheffer

Semiótica

Semiótica   Dos seus lábios quero escutar a palavra do meu pensar. Sem discordância ou dissabor. Se falas que me amas, não terei a petulância de silenciar. Mas se por acaso dizes o que não sinto é contraditório o seu pensar. E se por uma via dá-se a interpelação pelo ego, senhor das vaidades, Várias dúvidas irão ressaltar. Ou se o meu falar intercepta o teu sentir, Nada tenho a participar. É o livre arbítrio a nos visitar. Somos autônomos e solitários ao nos comunicar. É o criar a imagem e a criatura não codificar. Será que entendes o que eu quero falar? Jaine G. Scheffer -  foto: Jaine G. Scheffer

Momento Poético

Momento Poético Falam que os poetas são só sonhadores! Falam que os poetas são só loucos! Falam que os poetas são só pessoas que vivem mundos irreais! Falam que poetas são só tristes e que transformam as folhas brancas em palavras para se sentirem felizes! Mas poeta é quem ousa viver o sonho, sentir a tristeza, a loucura e transformar o irreal em real! Ousei sentir e transformar a minha folha branca em palavras e fazer-me mais feliz! Obrigada a todos que oportunizaram esse momento feliz! Muita gratidão a quem compartilha comigo desse momento de felicidade!                         Palavras proferidas quando recebi Premio de Poesia em Curitiba/                                    ...

No ônibus

Ei você!  Que aprisionado da vida quer ejacular na minha liberdade,  Derramando em mim seu prazer insaciável,  E suas mazelas fétidas!  Ei você!  Que não crê, julga que estou querendo,  Encarcerado em sua ignorância,  E não percebe a negação e constrangimento do meu corpo “frágil” vomitando a intolerância!  Ei você!  Quero ficar em pé!  Quero ficar sentada!  Não me amole,  Não me anule,  Não me manipule!  Quero ser respeitada!  Você não é só instinto.  Não pode ser só carne.  Pense, raciocine, não seja só seu pênis!  Respeite a minha vida!  Se respeite, também! Jaine Godinho Scheffer - Livro Alma e Pele, pag. 69 https://jus.com.br/artigos/61742/a-tipificacao-dos-abusos-sexuais-ocorridos-nos-meios-de-transporte-publico

Soneto - Guarnier

Guarnier é um daqueles poetas/escritores/artistas que você se apaixona na primeira leitura. Ele é do Estado do Rio de Janeiro, de Nilópolis, Baixada Fluminense. Seu livro Poemas, Sonetos, cartas e 2 divagações,  é esplendido, adorável, instigante, cômico e serio. Escolhi esse soneto para transcrevê-lo no meu blog que fala dos pecados que apontamos nas outras pessoas e que são os mesmos que carregamos conosco. Essa foi a minha interpretação de leitor. Senhor, acho que pequei, Pois me acertaram uma pedra. Quem jogou ou mirou, não sei Não vigiei, não estive alerta. Pai, eu sei que pedra não se atira sozinha. Fui réu e vitima em cumprir o destino A pedra não teve culpa, a culpa foi minha. De ainda ser menino avoado, ser avoado menino. Não vi o coração que me atirou isso. Foi minha culpa de pecar na hora errada, De errar no local errado? Então Senhor, se dentre eles Houver quem nunca atirou pedra, Permita que me atirem primeiro o pecado.

Essa tal liberdade...

Inúmeras são as vezes que se opta, que se escolhe, Ir ou ficar, ter ou ser, eu ou você... Abrimos as grades da prisão interior e exterior e travamos caminhos “desconhecidos,” mas imagináveis! A vida nos solicita escolhas, e mais do que simplesmente liberdade...ousamos ter coragem! Liberdade e coragem deveriam ter o mesmo significado, pois são atos primários essenciais ao “existir,” do nascimento a morte. Igual pássaro que sabe porque quer chegar.  A compensação da liberdade é ser livre e é o que lhe dá coragem para bater asas por sobre o oceano imenso. Alçar voo ao inevitável, compelido pela necessidade de voar... de ter....e de ser.... A liberdade exige decisões, De unir forças aos anseios e deflagrar a coragem para ser a base do estandarte. Sempre a postos!!! Há o hesitar, há o não querer, há o dever e também a obrigação. Mas há também a vida, as consequências e a coragem para sermos o que queremos ser!!! A escolha é inevitável para que a liberdade se faça! Jaine G. S...