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A Psicopedagogia e as tecnologias de informação e comunicação -



 





O ser humano não esteve presente na biosfera desde que esta se formou. Para chegar ao "homo sapiens", evoluindo transformou-se lentamente. Durante o período de sua formação e transformação a espécie humana teve sua população aumentada e espalhou-se pelo planeta. Para Toynbee (1987), a postura ereta, o andar sobre os pés, ficar com as mãos livres, foi o elemento principal da humanização. A liberação das mãos foi uma das condições para que o ser humano pudesse realizar uma infinidade de tarefas. O cérebro cria, as mãos executam a ferramenta e o uso que fizemos dela em cada época. Mãos e cérebro em interação contribuíram para a evolução do ser humano. A organização, a capacidade de criar, as práticas perante os problemas da vida e o progresso intelectual foram sendo transmitidos tradicionalmente por gerações, e tais aquisições formaram a cultura de cada povo. De acordo com, Covre (1990, p.06), "diferentemente do animal, o homem projeta as ações em sua mente antes de realizá-las. Assim, os homens criam e incorporam valores que orientam suas ações diante do restante da natureza e dos outros homens." Logo, em busca de qualidade de vida o ser humano não parou de inventar, descobrir, criar, transformar. Atualmente, ninguém acha estranho ligar um televisor acionando um botão à distância, abrir um portão sem sair do carro, comunicar-se com outra pessoa a qualquer hora e em qualquer lugar. Somente o ser humano entre os demais animais tem esta capacidade. À medida que o ser humano cria, descobre, inventa e transforma objetos fazendo uso deles para satisfazer suas necessidades, muda a vida humana, transforma o meio, a sociedade e se transforma. Concordamos com Litwin (2001, p.18), quando afirma que: [...] cultura é um instrumento mediador; as ferramentas utilizadas pelo o homem também o são, as quais representam produtos da cultura. Ensinar a trabalhar com tecnologias como instrumento da cultura implica mediatizá-las e, ao mesmo tempo, configurar relações particulares com o meio físico e social. De acordo com as teorias interacionistas, o ser humano transforma o meio social e o meio o transforma. Nesta relação o ser humano se constrói e constrói o meio. Com as tecnologias podemos estar bem informados, comunicarmo-nos rapidamente, diagnosticar e curar doenças, evitar serviços pesados, entre outros benefícios. Nesta relação, as tecnologias alteram o comportamento do ser humano, o qual altera, inventa, transforma e reinventa as tecnologias. É nesta troca que produzimos novas formas de pensar, de agir, de viver, de sentir, alterando o meio, a cultura, a sociedade, a educação e as formas de fazer educação. Sabe-se que a educação não vem acompanhando a contento as mudanças políticas, econômicas, tecnológicas, sociais e culturais e, assim, o ambiente escolar propicia o distanciamento entre escola e vida. Nossas escolas geralmente estiveram e estão a serviço das classes dominantes, por isso, quase sempre são seletivas, discriminatórias, excludentes, repassadoras de conteúdos prontos e descontextualizados. Diante destas questões, segundo Demo (1998, p.19), podemos indagar se existe diferença entre educação e ensino. Tomamos educação como processo de constituição histórica do sujeito, através do qual torna-se capaz de projeto próprio de vida e de sociedade, em sentido individual e coletivo. Tem evidente relação emancipatória, no sentido de apontar para um processo de conquista e construção, através do qual deixa-se de ser "massa de manobra", "objeto de manipulação". É uma dinâmica de dentro para fora, ainda que não aconteça jamais como ato individual, porque é sobretudo fenômeno social. [...] Já ensino designa processo de fora para dento, no qual o aspecto manipulativo é bem mais evidente. A moldagem externa predomina sobre a dinâmica de construção interna. É diretivo, acentuando a relação hierárquica entre quem ensina e quem aprende. Não é propriamente um jogo de sujeitos, mas de um sujeito face a um objeto. Nossas escolas precisam educar, pois a função de informar os meios de comunicação e a informática o fazem de maneira motivadora, lúdica e, sobretudo, atualizada. Nosso sistema educacional não está preparado a contento para atender as necessidades atuais, (formar cidadãos críticos, atuantes e transformadores, que desenvolvam competências e habilidades para coletivamente transformar a sociedade tornado-a mais justa, solidária, humana e igualitária) as inovações e demandas. As inovações acontecem freqüentemente e o número de pessoas a ser atingido é cada vez maior, logo, deveríamos utilizar outras estratégias educacionais que complementem e inovem as que utilizamos tradicionalmente. A evolução tecnológica tem oferecido uma gama de ferramentas que podem ser utilizadas nos processos educacionais. As novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) podem colaborar na construção de espaços de conhecimento favorecendo a democratização e a universalização da educação. Podem modificar a forma de ensinar e aprender, democratizar o acesso à educação, transformar o papel do professor, desenvolver no aluno atitudes autônomas. Cada vez se produz mais informação online socialmente compartilhadas, sobretudo com a tendência atual do que já chamamos de “web 2-0” (JONES 2009), ou segunda fase da Internet, que favorece a comunicação interativa, via ambientes para redes sociais. É cada vez maior o número de pessoas que dependem da Internet para trabalhar e viver. As tecnologias da web 2.0 são também denominadas de tecnologias colaborativas, tendo em vista o potencial de interação, cooperação e colaboração que tais tecnologias nos oferecem, potencializando os ambientes de aprendizagem. Ambiente de Aprendizagem está relacionado ao “desenvolvimento de condições, estratégias e intervenções de aprendizagem num espaço virtual na web, organizado de tal forma que propicie a construção de conceitos, por meio da interação entre alunos, professores e objeto de conhecimento”. (VALENTIM e SOARES, 2005, p.19). Estes ambientes podem ser utilizados na Psicopedagogia como instrumentos de construção simbólica, que podem participar do processo do desvelamento do simbólico, e por conseqüência dos sintomas de aprendizagem. Por essa razão é importante a utilização dessas tecnologias enquanto Psicopedagogos para que os alunos (pacientes) estabeleçam novas relações com a aprendizagem. Devemos ter muito critério na escolha das tecnologias a serem usadas no contexto psicopedagógico. Os recursos computacionais deverão ser didaticamente selecionados, explorando a interatividade oferecida pelos recursos multimídia. De acordo com os autores Padovani e Moura os recursos multimídias devem instigar o sujeito a: Visualizar conceitos de diferentes pontos de vista; Aguçar a criatividade, a curiosidade e imaginação; Trabalhar em equipe promovendo os processos de colaboração e cooperação;... entre outros. Em relação aos requisitos técnicos os recursos computacionais devem, entre outras coisas, apresentar design agradável, claro, bem elaborado, com fácil funcionamento e execução na web. Para Visca, a aprendizagem não ocorre somente na escola, mas na interação com os professores, conteúdos, os colegas e também em como procede ao vínculo com as pessoas fora do ambiente escolar. Ele sugere a aplicação das Técnicas Projetivas Psicopedagógicas para investigar esses vínculos que o sujeito estabelece com a aprendizagem e como se dá essa construção. No trabalho clínico, o principal trabalho do Psicopedagogo é o de intervir na aprendizagem, através de estratégias que visam investigar o que não vai bem na relação do sujeito com o conhecimento procurando trabalhar suas potencialidades cognitivas, promovendo a melhora do seu desempenho escolar. Vários autores como Queiroz, Mello, Xavier e Weiss destacam que o computador se constitui num instrumento muito útil e dinâmico no diagnóstico psicopedagógico, podendo ser usado como recurso metodológico privilegiado para acessar o interesse de crianças afetadas em sua capacidade de aprendizagem. A linguagem lúdica dos softwares se constitui num elemento para a mediação, construção e resgate de aprendizagem mais autônoma, favorecendo a rapidez de interpretação e resposta, a organização na realização de tarefas, o desenvolvimento lógico-temporal e a concentração. O computador também é um forte aliado do Psicopedagogo se usado como recurso metodológico ao trabalhar as dificuldades persistentes e sistemáticas na aquisição da leitura. A dislexia do desenvolvimento é um distúrbio de origem neurobiológica e caracteriza-se por dificuldades na correta leitura de palavras. Essas dificuldades são um déficit fonológico da linguagem e como conseqüência secundária estão presentes na compreensão de textos, desenvolvimento do vocabulário e conhecimentos gerais. Estudos feitos comprovaram a eficácia do Software Alfabetização Fônica Computadorizada, com melhora significativa no aumento da velocidade de escrita de palavras. De acordo com Weiss, a inclusão da informática na clínica psicopedagógica deverá acontecer dentro do modelo de atuação de cada terapeuta. O computador não faz nada por conta própria. É no vínculo, na relação de mediação integrada entre computador (programas), terapeuta e paciente que se encontrará o caminho para a aprendizagem. Portanto, devemos escolher o software mais adequado, e devemos ter um conhecimento prévio do mesmo para sabermos como nos sentimos diante das propostas. Weiss ainda considera que a informática na educação é aquela que “utiliza o computador como um recurso num meio transformador do ambiente de aprendizagem, com a exploração viva e empolgada dos alunos e professores, através das possibilidades deste instrumento em buscar diferentes caminhos de resolução de problemas de forma rápida integrada e motivante, rompendo fronteiras entre os diferentes conteúdos curriculares”. Para concluirmos, o computador deve ser utilizado como uma proposta transformadora, reflexiva, planejada e elaborada com o objetivo de suprir as dificuldades do ensino tradicional. Inserida no Projeto Pedagógico, a informática educativa pode ser amplamente debatida na comunidade escolar, como um instrumento pedagógico no processo de construção e reconstrução da aprendizagem.

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