Pular para o conteúdo principal

A sociedade em construção

A sociedade em construção  

O gênero humano, diferente das outras categorias de seres vivos, além de já nascer com determinadas aptidões genéticas, principalmente sua predisposição para comunicar-se através do uso da linguagem simbólica (fala), possibilitou também, ao longo da sua história, desenvolver certas habilidades, no caso, portanto, sua eficiente capacidade de produzir instrumentos, por exemplo: machados, facas, e outros, que, nesse sentido, serviam essencialmente como mediação para melhor execução de determinadas atividades, contribuindo, deste modo, na sua adaptação em qualquer ambiente. Portanto, o ser humano é, sem sombra de dúvida, o único ser vivo, capaz de, coletivamente, através do trabalho, transformar o seu ambiente e a si mesmo, pois sendo um sujeito histórico, seu conhecimento é socialmente construído através de um processo dialético, de interação entre os sujeitos sociais e o ambiente físico. Partindo destas premissas, concluímos que, somos, por assim dizer, sujeitos históricos, isto é, fazemos parte de um conjunto de micro-sistemas dinâmicos, interligados em forma de redes, comparadas a uma imensa teia, conhecida como "teia da vida". Mas, nem sempre foi assim. Há algum tempo atrás, certos pesquisadores, mergulhados na instigante necessidade de desvendar o mistério da mente humana, defendiam, com muita propriedade, a hipótese de que a inteligência era algo inato ao ser humano, isto é, todos já nasciam com esta condição. Outros mais céticos, procuravam ir mais além. Para estes, portanto, a inteligência dependia de fatores externos (ambiente), isto é, cada sujeito ao nascer, estaria com a sua mente livre, desprovida de tudo, sendo a mesma comparada a um papel em branco. Nos últimos anos, essas teorias receberam violentas críticas por não se adequarem mais a nova realidade subjacente. As constantes crises econômicas que estavam submetidas certas sociedades e que indiretamente influenciavam no processo educacional desses países, forçavam, deste modo, e de forma imediata, na busca de novas teorias pedagógicas capazes de amenizar, ou , na melhor das hipóteses, solucionar definitivamente os profundos desníveis sociais que encontravam essas sociedades. Dentro das políticas pedagógicas, a psicologia, até então, nunca assumiu um papel de destaque na busca de soluções aos problemas emergentes. Era vista como um empecilho ao trabalho de educador. Sua função baseava-se na compreensão do desenvolvimento cognitivo do indivíduo isolado, descontextualizado.
 A mais recente teoria ou perspectiva que vem amenizar essa situação é a perspectiva co-construtivista, idealizada por Jaan Valsiner, com a colaboração de Vera Vasconcelos, entendida como uma formação teórica híbrida, oriunda da junção de duas tradições, identificadas ao longo da história como distintas: o construtivismo e a sócio-gênese.
Essa perspectiva surgiu na tentativa de acabar com os modismos assumidos pelos educadores na adesão de novas teorias, que se declaram construtivistas, interacionistas, etc., ficando estas teorias "mal compreendidas" reduzidas a um nome ou a uns poucos conceitos, insuficientes para orientar a práxis pedagógica.
Sendo assim, "o co-construtivismo tem despertado mais interesse em contextos sociais contraditórios e imprevisíveis. Neles, os educadores e cientistas se vêem desafiados a buscarem teorias que instrumentem seu trabalho e os auxiliem a compreender e assumir um papel transformador nessas sociedades. (Ferreira in Valsener. 1995.p.3)
É percebível que o co-construtivismo precisa ser melhor discutido quanto à sua contribuição às teorias construtivistas e quanto aos aspectos inovadores que, são também discutíveis.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

  Flor em trilhos   Ao longe, um aviso sonoro ressoa, De onde vem e para onde vai? Coração aos saltos… espero ou ignoro? “Aguarda… ela surgirá entre as árvores… observai.”   Nos carros, olhares curiosos, O   momento é singular para mim. Muitos não percebem, não veem, ansiosos, Que finalmente ela passe… enfim. Atrás dos montes, surge um clarão. Indescritível a beleza do dia, que finda. O pôr do sol anuncia de antemão, Que ela vai passar, bem nessa hora. Aguardo a suntuosa locomotiva, Despontar, em curvas sinuosas, Plainar sobre os trilhos, altiva, Tereza Cristina, a flor do Pinheirinho… finalmente,                                                            ...

Outono na praia

Outono na praia   No início do outono, na praia deserta, O sol se põe, a maré se retira, As folhas caem, a areia coberta, Com cores de fogo, o céu se inspira.   Ondas suaves beijam a costa, Em um ritmo lento, quase parado, O vento do outono sussurra uma resposta, A um verão que agora é passado.   As gaivotas voam para o sul, Deixando a praia em silêncio profundo, O outono traz um novo recital, Uma sinfonia sem som, sem segundo.   As pegadas na areia desaparecem, Apagadas pelas ondas do mar, O outono na praia, uma cena que enobrece, Um espetáculo que faz o coração disparar.   Então aqui na praia, o outono começa, sua beleza tranquila e sutil, Cada momento, cada cena, me convence, Do ciclo da vida, constante e febril.   Jaine Godinho Scheffer

De volta...

  Obs.: O texto é uma carta de um sobrevivente de guerra, para sua mãe que, ainda não sabe se receberá uma medalha no lugar de seu filho. A carta que ele mesmo a entregará, descreve a sensação de poder voltar para casa. O título deve conter:    De volta ... ( completar) - Projeto 5 versões de um verso.     De volta à noite, iluminado somente pelas estrelas e clarões das bombas, ele escreve:     “Já é noite, me recolho , e meus ouvidos denunciam toda a minha saudade e nada mais ouvem do que a sua voz – “Venha almoçar”, “Está na hora do banho”, “Como foi na escola hoje?” São sons divinos que me acalentam e me fortalecem todos os dias. Aqui, os momentos são tortuosos e o amor e o ódio pairam no ar e se materializam nos olhares e ações, sejam dos amigos ou inimigos. Ainda restam alguns dias para buscarem-nos e o atordoamento do intervalo entre a espera e a chegada, nos fazem cães ferozes, querendo pular o tempo. Desculpa, se minhas palavras são desesperadoras, mas ...