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O PERFIL DO DOCENTE NO ENSINO SUPERIOR

 Sobre o perfil do docente anunciado ou evidenciado desde a 1a Faculdade no Brasil até a Reforma Universitária

O ensino superior surgiu tardiamente no Brasil e surgiu de uma mudança na estrutura política do Estado português que aqui se instalou com a coroa Portuguesa vinda com D. João VI.

Fazendo uma análise a partir do texto “Histórico da Educação Superior no Brasil”l (Arabela Campos Oliven) e de outros livros lidos, podemos identificar a influência de modelos europeus como o Jesuítico e o Francês. Teve um caráter mais profissionalizante, dando ênfase ao ensino e  não a pesquisa para atender a elite da Coroa Portuguesa.

O modelo Jesuítico encontrava-se na gênese das práticas e modo de ensinar.

A influência do modelo Francês (napoleônico), profissionalizante e não universitário, visava formar burocratas. O perfil do professor era o de transmissor do conhecimento, reforçando aí o ensino Jesuítico de memorização. E assim permaneceu por mais cem anos até a Proclamação da República.

Além desses perfis, o professor do ensino superior, anterior a Reforma Universitária (1968) deveria também ser o intelectual que, formaria a elite  que conduziria as massas, colocando a educação a serviço do Estado.

Fica bem claro essa intenção quando o Ministro Capanema, na continuidade da política educacional do Estado Novo, assinala ser o ensino superior destinado “a formação dos grupos mais altos da elite cultural do país”(Ibid).

Quanto ao sistema de Cátedra que muito influenciou no perfil do professor universitário, vem do período das primeiras faculdades no Brasil (1808) quando D. João VI determina a criação da cadeira de anatomia – no Rio de Janeiro e de cirurgia no Rio e na Bahia.

Um catedrático se impunha ao reitor e ao próprio governo, sendo o detentor de “poder e de saber”. Ele escolhia seus auxiliares ou assistentes e estes só faziam o que lhes era permitido pelo cátedra.

A constituição de 1967 revogou o privilégio da vitaliciedade da cátedra e a Lei 5.540/68  a extingue.

Concluindo, hoje não se impõe ao professor universitário um manual como no momento Jesuítico inicial, sua ação docente é mais livre do como ensinar. No entanto, a metodologia, o processo de repetição e exercitação, o currículo fixo, organizado, ainda se mantêm.


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