Ganhei o Livro: "Entre os Muros da Escola" da minha filha Janine. Assisti o filme por indicação da Professora Rita Carnevale, a professora que me ensinou a tomar muito CHA, antes de qualquer decisão, tento seguir.CHA é: C de Conhecimento, H de Habilidade e A de Atitude.
Para quem estiver interessado em Educação e quiser saber um pouco sobre o F Filme ou o Livro (que eu indico por ser uma fonte de reflexão sobre os vários domínios que devemos ter ao nos aventurarmos pelo mundo da docência), faço alguns comentários positivos e negativos, pois tudo depende do teu nível de comparação e entendimento.
A maioria dos personagens, principalmente os alunos, tem o mesmo nome na vida real e são em sua maioria alunos de escolas francesas do subúrbio de Paris.
O personagem principal, o professor François Marin, por exemplo, é na vida real o professor François Begaudeau, onde só muda o sobrenome, é também o autor do livro.
Análise do filme:
Em um primeiro momento procurei as semelhanças e dessemelhanças existentes entre aquilo que se apresenta em uma escola pública de bairro de Paris e a nossa realidade escolar brasileira, inclusive em escolas que atuei como docente; o alarido dos estudantes, a alegria e resistência ao se retornar à escola, os novos encontros e reencontros de docentes e discentes, os valores atribuídos aos atores sociais, o reconhecimento e disputa pelos espaços já conquistados.
Rapidamente, como diria Foucault em Vigiar e Punir (2001), “Os olhares classificadores dos professores rotulam os destinados ao fracasso e ao sucesso”.
Uma das primeiras cenas do filme mostra bem essa atitude de classificação e rotulação no diálogo entre os professores de diferentes séries, que trocam informações sobre os estudantes que prestam e os que não prestam, quando apontam o futuro de cada um à medida que o dedo percorre a lista de chamada (... esse é bem comportado, esse é mal-comportado, muito mal-comportado mesmo...).
É interessante notar que, o professor não se desculpa pelos seus deslizes, muitos dos quais graves, mas reclama que seus alunos o façam como se a insolência ou soberba fosse somente uma característica dos discentes.
O professor, assim como todos os demais atores sociais, não se percebe sujeitos, integrantes e construtores da realidade que percebem miserável.
Quando os alunos dizem que não aprenderam nada, apenas ignoram o aprendizado do professor, que se dá pelo processo de educação de dureza sarcástica, dolorosamente aprendida pelos exemplos a perguntas feitas aos alunos.
Por trás de um discurso complicado, tentativa de sempre se manter em um pedestal frente aos alunos, esconde-se um narcisismo e um egocentrismo gigantesco do professor que sempre obedece à cartilha daqueles que têm sempre a palavra final.
O professor François teve múltiplos erros, momentos de incoerências profissionais, não interagiu positivamente com a classe, e muitas atitudes poderiam ser evitadas com mais maturidade e sensibilidade emocional.
Observei também a falha do professor em buscar a mudança do sistema público em favor dos alunos e para o bem do coletivo, claro, sempre observando as tendências educacionais.
Mas, considero também, que o filme mostrou a realidade dos alunos, enquanto alunos e diagnostificou a mediação e, sobretudo, a importância do professor como profissional, ser social, educador e como pessoa que não é imune a estados emocionais.
Na abordagem teórica e metodológica, o autor dá ênfase as dificuldades de se tratar com o xenofobismo, em pleno século XXI, as dificuldades de mudança, em especial, a mudança de paradigmas educacionais, o conflito do velho com o novo.
Apesar de mostrar um problema da escola francesa contemporânea, o filme Entre os Muros da Escola pode ser transplantado para outras realidades como o do Brasil em que os limites das escolas públicas brasileiras deve ser percebido em relação a outras esferas sociais na complexidade e na desigualdade que produzem conflito.
O filme revela também que, a problemática da educação é um acúmulo de problemas e conflitos entre, professor-aluno, professor-professor, professor-escola, professor-pais, escola-pais, etc.
Acredito que, a harmonia de idéias nestas categorias educacionais com metodologias diferentes fará da escola um local de construção de um cidadão mais justo, mais democrático e crítico nas suas ações perante a vida e a comunidade onde se insere.
Curiosidades sobre o filme
O filme tem roteiro e direção de Laurent Cantet, baseado no livro homônimo de François Bégaudeau, que interpreta o professor François Marin.
Conta história de um professor, François Marin, que dá aula a turmas do ensino médio em uma escola do subúrbio de Paris, mostrando sua relação com os alunos, a luta por ensinar algo a eles, seu dia a dia de sala de aula, os conflitos, as dificuldades, as relações dos alunos entre eles e com o professor.
A sala de aula é repleta de estudantes das mais variadas origens, com os mais diferentes interesses, enquanto o professor, de origem francesa, vindo de um ensino iluminista, quer ensinar literatura e artes ocidentais, seus alunos buscam outras coisas e muitas vezes não sabem o que é.A maioria dos personagens, principalmente os alunos, tem o mesmo nome na vida real e são em sua maioria alunos de escolas francesas do subúrbio de Paris.
O personagem principal, o professor François Marin, por exemplo, é na vida real o professor François Begaudeau, onde só muda o sobrenome, é também o autor do livro.
Análise do filme:
Em um primeiro momento procurei as semelhanças e dessemelhanças existentes entre aquilo que se apresenta em uma escola pública de bairro de Paris e a nossa realidade escolar brasileira, inclusive em escolas que atuei como docente; o alarido dos estudantes, a alegria e resistência ao se retornar à escola, os novos encontros e reencontros de docentes e discentes, os valores atribuídos aos atores sociais, o reconhecimento e disputa pelos espaços já conquistados.
Rapidamente, como diria Foucault em Vigiar e Punir (2001), “Os olhares classificadores dos professores rotulam os destinados ao fracasso e ao sucesso”.
Uma das primeiras cenas do filme mostra bem essa atitude de classificação e rotulação no diálogo entre os professores de diferentes séries, que trocam informações sobre os estudantes que prestam e os que não prestam, quando apontam o futuro de cada um à medida que o dedo percorre a lista de chamada (... esse é bem comportado, esse é mal-comportado, muito mal-comportado mesmo...).
É interessante notar que, o professor não se desculpa pelos seus deslizes, muitos dos quais graves, mas reclama que seus alunos o façam como se a insolência ou soberba fosse somente uma característica dos discentes.
O professor, assim como todos os demais atores sociais, não se percebe sujeitos, integrantes e construtores da realidade que percebem miserável.
Quando os alunos dizem que não aprenderam nada, apenas ignoram o aprendizado do professor, que se dá pelo processo de educação de dureza sarcástica, dolorosamente aprendida pelos exemplos a perguntas feitas aos alunos.
Por trás de um discurso complicado, tentativa de sempre se manter em um pedestal frente aos alunos, esconde-se um narcisismo e um egocentrismo gigantesco do professor que sempre obedece à cartilha daqueles que têm sempre a palavra final.
O professor François teve múltiplos erros, momentos de incoerências profissionais, não interagiu positivamente com a classe, e muitas atitudes poderiam ser evitadas com mais maturidade e sensibilidade emocional.
Observei também a falha do professor em buscar a mudança do sistema público em favor dos alunos e para o bem do coletivo, claro, sempre observando as tendências educacionais.
Mas, considero também, que o filme mostrou a realidade dos alunos, enquanto alunos e diagnostificou a mediação e, sobretudo, a importância do professor como profissional, ser social, educador e como pessoa que não é imune a estados emocionais.
Na abordagem teórica e metodológica, o autor dá ênfase as dificuldades de se tratar com o xenofobismo, em pleno século XXI, as dificuldades de mudança, em especial, a mudança de paradigmas educacionais, o conflito do velho com o novo.
Apesar de mostrar um problema da escola francesa contemporânea, o filme Entre os Muros da Escola pode ser transplantado para outras realidades como o do Brasil em que os limites das escolas públicas brasileiras deve ser percebido em relação a outras esferas sociais na complexidade e na desigualdade que produzem conflito.
O filme revela também que, a problemática da educação é um acúmulo de problemas e conflitos entre, professor-aluno, professor-professor, professor-escola, professor-pais, escola-pais, etc.
Acredito que, a harmonia de idéias nestas categorias educacionais com metodologias diferentes fará da escola um local de construção de um cidadão mais justo, mais democrático e crítico nas suas ações perante a vida e a comunidade onde se insere.
Escola, Professor e Pais têm que tomarem muito CHA, de preferência, juntos, reflitam e dialoguem sobre o CHA, contextualizem o CHA, humanizem o CHA e acima de tudo pratiquem e atualizem sempre os sabores do CHA.
http://www.adorocinema.com/filmes/entre-os-muros-da-escola/
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